Os óleos hidráulicos minerais se dividem em quatro classes principais, definidas pela norma DIN 51524: HL (parte 1, com proteção contra oxidação e corrosão), HLP (parte 2, com aditivação antidesgaste), HVLP (parte 3, com alto índice de viscosidade) e HLPD (variante detergente da parte 2, tolerante a água). A quinta categoria relevante, HFDU, fica fora da família mineral: é o fluido resistente ao fogo, usado onde há risco de incêndio. A sigla certa se escolhe pela condição dominante do sistema, e a viscosidade, pela temperatura de operação.
Por isso, a pergunta "qual é o melhor óleo hidráulico?" só tem resposta quando vem acompanhada de outra: qual condição mais castiga o seu sistema? Pressão, temperatura variável, água ou fogo. Cada resposta leva a uma sigla diferente.
O que significa cada sigla da DIN 51524?
| Classe | Norma | O que a aditivação entrega | Condição que resolve | Linha Kelpen Oil |
|---|---|---|---|---|
| HL | DIN 51524-1 | Proteção antioxidante e anticorrosiva | Sistemas circulatórios, mancais e hidráulicos que pedem a especificação HL | Supra (ISO VG 10 a 320) |
| HLP | DIN 51524-2 | HL mais aditivo antidesgaste (AW, de anti-wear) | Pressão severa em bombas de palheta, pistão e engrenagem; é o padrão da indústria | Supra AW (ISO VG 10 a 320) |
| HVLP | DIN 51524-3 | HLP com alto índice de viscosidade | Grande variação de temperatura: equipamento ao tempo, partida fria, ciclo quente | Supra HP (ISO VG 32 a 100) |
| HLPD | DIN 51524-2, variante D | HLP com detergência e dispersância | Contaminação por água e umidade; sistema que precisa manter a sujeira em suspensão | Supra AWD (ISO VG 32 a 68) |
| HFDU | Categoria ISO de fluido resistente ao fogo | Base de ésteres orgânicos, livre de água e de óleo mineral | Operação com risco de incêndio: siderurgia, fundição, proximidade de fonte quente | Supra HFDU FR 68 (ISO VG 68) |
Uma linha auxiliar completa a família: o Supra FSH, óleo para limpeza de sistemas hidráulicos. Os aditivos detergentes e dispersantes dele limpam o circuito e mantêm os resíduos em suspensão.
Como escolher a classe pela condição do sistema?
A decisão segue uma escada de severidade. Cada degrau existe por causa de um mecanismo de falha específico.
Circulação e mancais: HL
Onde a solicitação principal é circulação e lubrificação de mancais, a norma HL exige proteção contra oxidação (o envelhecimento do óleo pelo oxigênio e pelo calor) e contra corrosão das partes metálicas.
Pressão severa: HLP
É o caso da grande maioria dos sistemas industriais. Sob alta pressão, o filme de óleo entre as peças da bomba afina até o limite. O aditivo antidesgaste forma uma película química de sacrifício exatamente onde o filme rompe, e é ela que se desgasta no lugar do metal. Sem essa película, a sequência de falha é conhecida:
- A pressão alta rompe o filme de óleo nos pontos críticos da bomba.
- O contato metal com metal provoca desgaste adesivo em palhetas, placas e pistões.
- O desgaste aumenta a folga interna, o que leva à queda do rendimento volumétrico (a bomba entrega menos vazão para a mesma rotação).
- O sistema fica lento antes de quebrar, e a produtividade perdida paga o óleo errado muitas vezes antes da falha final.
Variação de temperatura: HVLP
A viscosidade de todo óleo cai com o calor e sobe com o frio. O índice de viscosidade (IV) mede quanto ela varia: quanto maior o IV, menor a variação. Em óleos minerais convencionais, o IV costuma ficar entre 90 e 110. Na linha Supra HP, fica entre 137 e 174, conforme o grau. Na prática, o HVLP continua bombeável na partida fria e mantém o filme no regime quente, onde um HLP comum ficaria grosso demais ou fino demais em uma das pontas.
Água e umidade: HLPD
O aditivo detergente e dispersante mantém a água finamente emulsionada e os contaminantes em suspensão até o filtro, em vez de deixá-los decantar no reservatório e nas válvulas. É a escolha para máquina operatriz com fluido de corte respingando no circuito, ambiente úmido e sistema com histórico de contaminação.
Há um contraponto. Em sistema limpo e seco, o HLP comum com boa demulsibilidade (capacidade de separar a água) é preferível, porque separar a água e drenar o reservatório é melhor do que conviver com ela.
Risco de incêndio: HFDU
Onde um vazamento pressurizado pode encontrar superfície quente ou chama, o fluido mineral é um passivo de segurança. O HFDU existe para eliminar essa classe de risco. O Supra HFDU FR 68 da Kelpen Oil é formulado com ésteres orgânicos, totalmente livre de água e de óleo mineral, e foi desenvolvido para substituir hidráulicos antidesgaste minerais em aplicações com risco de incêndio, atendendo aos requisitos de fluidos hidráulicos resistentes ao fogo. A mesma base éster o torna uma opção onde a proteção ao meio ambiente é exigência do processo.
Qual viscosidade ISO VG usar?
A classe define a química; o ISO VG define a espessura do óleo. A escala ISO VG indica a viscosidade cinemática média a 40 °C, em cSt: um ISO VG 68 tem 68 cSt a 40 °C, com tolerância de 10% para cima ou para baixo (61,2 a 74,8 cSt).
Os graus ISO VG 32, 46 e 68 concentram a maior parte dos sistemas industriais e são os indicados pelos principais fabricantes de bombas hidráulicas, que geralmente especificam óleos HLP. A regra resumida:
- Quanto mais quente o sistema opera, maior o grau necessário para manter o filme.
- Quanto mais fria a partida e mais alta a rotação, menor o grau, para não dificultar a sucção da bomba.
- Na dúvida, vale o grau indicado pelo fabricante da bomba.
O que a norma DIN 51524 exige na prática?
A DIN 51524 define uma bateria de ensaios. Um HLP comprova, entre outros requisitos, proteção antidesgaste, demulsibilidade, comportamento de espuma e proteção anticorrosiva. Por isso, dois óleos "68 AW" de fabricantes diferentes não são automaticamente equivalentes: a norma define o mínimo, e o ensaio mostra o resultado real.
No laboratório da Kelpen Oil em Arujá (SP), esses comportamentos são medidos em equipamento dedicado:
- Demulsibilidade e características de emulsão pela NBR 14172, no PD 475.
- Características espumantes nas sequências I, II e III pela NBR 14235, no PD 470.
- Corrosão em lâmina de cobre (3 horas a 100 °C) pela NBR 14359.
- Viscosidade cinemática pela ASTM D7042, no SVM 4001.
Nenhum lote da linha Supra é liberado sem aprovação do laboratório. O mesmo parque analítico atende o serviço de análise de lubrificantes para terceiros: qualquer empresa pode enviar o hidráulico que usa hoje, de qualquer fabricante, e receber um laudo técnico com viscosidade, teor de água, acidez e contaminação por partículas. É um serviço pago, e é a forma mais rápida de descobrir se o problema do sistema está no óleo ou em outro lugar.
Leia também: óleo para redutor com aditivo EP e a página da linha Supra AW.
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de óleos hidráulicos? Pelas classes da DIN 51524: HL (proteção contra oxidação e corrosão), HLP (antidesgaste, o padrão industrial), HVLP (alto índice de viscosidade, para variação de temperatura) e HLPD (detergente, tolerante a água). Fora da família mineral, o HFDU é o fluido resistente ao fogo.
O que significa HLP no óleo? É a classificação da DIN 51524 parte 2: óleo hidráulico mineral com aditivos antioxidante, anticorrosivo e antidesgaste (AW). É a especificação típica para bombas sob pressão severa.
Qual é o melhor óleo hidráulico? O que corresponde à condição dominante do sistema: HLP para pressão, HVLP para variação de temperatura, HLPD para água e HFDU para risco de incêndio, sempre na viscosidade que a temperatura de operação pede.
Para que serve o óleo hidráulico? Ele transmite potência no sistema: leva a pressão da bomba aos atuadores. Ao mesmo tempo, lubrifica, ajuda a retirar calor, protege contra corrosão e carrega contaminantes até o filtro.
Confirme a classe e o grau com quem ensaia
A Equipe Técnica Kelpen Oil avalia tipo de bomba, pressão de trabalho, temperatura de partida e de regime, presença de água e histórico de contaminação, e confirma a classe e o ISO VG corretos para cada sistema. Se preferir começar pelo diagnóstico, envie uma amostra do óleo em uso para análise no laboratório de Arujá (SP). Salve este artigo ou envie para quem cuida da manutenção hidráulica na sua empresa. Fale com um especialista, sem compromisso.




