O 68 é o mais grosso dos dois: a 40 °C, ele resiste quase 50% mais a escorrer que o 46 e, por isso, aguenta trabalhar mais quente. Num óleo mineral comum (feito de petróleo refinado, o mais usado em hidráulica), o 68 precisa estar uns 8 a 10 °C mais quente para ficar tão fino quanto o 46. O grau certo é o que o manual pede; quando ele aceita os dois, decide a temperatura do óleo na bomba (a peça que o empurra pelo sistema).
Qual a viscosidade do óleo hidráulico 46 e do 68?
Os números 46 e 68 são a própria medida da espessura do óleo, feita a 40 °C: quanto maior o número, mais grosso o óleo.
Pense no mel e na água: o mel escorre devagar porque resiste mais a escorrer. Essa resistência se chama viscosidade, e é ela que o número do óleo hidráulico mede.
A unidade dessa medida se chama centistokes (cSt). Um óleo vendido como 46 tem perto de 46 cSt nessa temperatura, e um 68, perto de 68 cSt. Esse número se chama grau ISO VG e vem da norma internacional ISO 3448.
No óleo hidráulico, os graus mais usados vão do 10 ao 100 (10, 15, 22, 32, 46, 68 e 100), e cada um é cerca de 50% mais grosso que o anterior.
E as letras junto do número, como em HLP 68? Elas dizem a classe do óleo, isto é, as proteções que ele leva; estão explicadas no artigo sobre tipos de óleos hidráulicos.
Na mesma linha de produto, o 46 e o 68 são da mesma classe. A diferença de espessura vem do óleo básico, o óleo que forma quase todo o lubrificante: o 68 leva mais básico grosso na mistura.
Figura 1. Dois tubos iguais a 40 °C: o 68 leva quase 50% mais tempo para escorrer.
Para quem precisa do número: pela ISO 3448, o ISO VG 46 vai de 41,4 a 50,6 cSt a 40 °C, e o ISO VG 68, de 61,2 a 74,8 cSt. É uma tolerância de 10% para cada lado (1 cSt é igual a 1 mm²/s). As faixas não se encostam, e dois óleos reais, cada um na sua faixa, podem ficar de uns 20% a uns 80% de distância.
A escala da ISO 3448 vai do ISO VG 2 ao 1500; a ASTM D2422 acrescenta o 2200 e o 3200.
Só que a máquina não trabalha a 40 °C. O que acontece quando o óleo esquenta?
Como o óleo hidráulico 46 e o 68 mudam com a temperatura?
Os dois afinam quando esquentam e engrossam quando esfriam, e o 68 continua mais grosso que o 46 em qualquer temperatura.
É o que acontece com o mel: saído da geladeira, mal escorre; aquecido, escorre depressa. Na mesma linha de produto, o 46 e o 68 afinam juntos, como duas curvas que andam lado a lado sem se cruzar.
Na prática, a diferença entre os graus vira diferença de temperatura. O 68 a cerca de 48 °C escorre como o 46 a 40 °C, uns 8 °C de distância. Com o óleo mais quente, entre uns 50 e 80 °C, a distância sobe para uns 9 a 10 °C.
Figura 2. A 48 °C, o 68 escorre como o 46 a 40 °C.
Quanto um óleo afina com o calor depende do índice de viscosidade (IV): quanto maior o índice, menos a espessura muda. O óleo mineral comum fica perto de 100, e os números deste artigo valem para ele.
Para quem precisa do número: valores calculados pela ASTM D341, com IV 100 (ASTM D2270) e óleo no centro do grau; nas pontas da faixa, as temperaturas mudam de 2 a 3 °C. No frio, a distância encolhe para uns 6 °C.
| Temperatura do óleo (°C) | ISO VG 46 (cSt) | ISO VG 68 (cSt) |
|---|---|---|
| 20 | 135 | 214 |
| 40 | 46 | 68 |
| 60 | 21 | 29 |
| 80 | 11 | 15 |
Se os dois afinam com o calor, falta saber qual espessura a máquina quer.
Por que a temperatura decide entre o 46 e o 68?
Porque a bomba só rende e dura com o óleo dentro de uma faixa de espessura, e é a temperatura que põe o óleo dentro ou fora dela.
Essa faixa vem do fabricante da bomba, no catálogo dela, e se chama faixa ótima de viscosidade. Vale com a máquina em regime: produzindo normalmente, com a temperatura do óleo já estável.
Fora da faixa, o problema muda conforme o lado:
Fino demais (óleo quente demais para o grau): o óleo escapa pelas folgas, as frestas mínimas entre as peças, e volta ao tanque sem mover o cilindro, a peça que desloca a carga. Esse é o vazamento interno. A máquina fica lenta, e o filme de óleo, a camada que separa as peças, afina.
Grosso demais (óleo frio, na partida): a cavitação, em três passos.
O óleo chega devagar à bomba e a pressão cai na entrada.
Com a pressão baixa, as partes mais leves do óleo viram vapor, mesmo com o óleo frio, e formam bolhas.
Onde a pressão volta a subir, dentro da bomba, as bolhas de vapor colapsam de uma vez e arrancam partículas do metal: é a cavitação. As bolhas de ar que se soltam do óleo na mesma queda de pressão não colapsam assim: dão espuma e ruído.
Como isso aparece na sua fábrica: com óleo fino demais, os cilindros ficam lentos no fim do turno, a pressão oscila e o tanque esquenta mais que o normal. O motivo: o vazamento pelas folgas vira calor e afina ainda mais o óleo.
Com óleo grosso demais, a bomba chia ou faz som de cascalho nos primeiros minutos e o motor puxa mais corrente na partida.
Na Figura 3, a faixa ótima da bomba aparece colorida; onde a curva de cada grau entra e sai dela estão as temperaturas boas. A linha horizontal na altura do 46 mostra os 8 °C de diferença entre os graus.
O eixo vertical usa uma escala logarítmica: a distância entre 10 e 100 cSt é a mesma que entre 100 e 1.000, o que deixa valores muito diferentes no mesmo gráfico. A linha vermelha tracejada marca o mínimo de 10 cSt, aceito só por pouco tempo.
Figura 3. Com a faixa ótima de um catálogo de bomba, o 46 serve entre cerca de 45 e 67 °C, e o 68, entre cerca de 54 e 77 °C. Na mesma espessura, o 68 está uns 8 °C acima do 46.
Para quem precisa do número: catálogos de bomba de pistões costumam pedir de 16 a 36 cSt em trabalho contínuo e aceitam 10 cSt só por pouco tempo. Na partida a frio, aceitam até 1.000 ou 1.600 cSt, conforme o catálogo, por poucos minutos e sem carga.
Com IV 100, os 1.000 cSt chegam perto de menos 6 °C no 46 e de 0 °C no 68. Bombas de palhetas e de engrenagens têm faixas próprias.
Algumas bombas têm um dreno da carcaça (a carcaça é a caixa de metal que envolve as peças internas): o tubo que devolve ao tanque o óleo que vazou por dentro da bomba. Esse óleo sai mais quente que o do tanque, e nessas bombas o catálogo costuma dar a faixa para ele.
Com a faixa da bomba e a curva de cada grau em mãos, a escolha vira uma consulta de tabela.
Óleo hidráulico 46 ou 68: qual usar na sua máquina?
Use o grau que o manual da máquina pede; se ele aceita os dois, escolha pela temperatura do óleo na bomba em regime.
Procure o grau no manual. Se ele indica um só, siga-o.
Se aceita os dois, meça a temperatura do óleo em regime no ponto que o catálogo da bomba indica (o tanque ou, nas bombas que têm dreno da carcaça, o dreno).
Se o catálogo fala do dreno e você mediu no tanque, a leitura do tanque dá menos que a do dreno: some uns graus a ela. Quantos, na sua bomba, a Equipe Técnica confirma.
Ache a linha na tabela e confira com o catálogo da bomba.
| Se o óleo na bomba, em regime... | Use | Por quê |
|---|---|---|
| Fica abaixo de 45 °C | ISO VG 32 ou 46 da linha Supra AW, conforme o catálogo | O 46 fica mais grosso que a faixa ótima e só serve se o catálogo aceitar; o 32 é o grau logo abaixo |
| Fica entre 45 e 54 °C | ISO VG 46 | O 46 está na faixa ótima; o 68 ainda fica grosso demais para ela |
| Fica entre 54 e 67 °C | 46 ou 68, conforme o catálogo | Os dois ficam na faixa. O 46 parte mais fácil no frio; o 68 deixa margem para o verão |
| Fica entre 67 e 77 °C | ISO VG 68 da linha Supra AW | O 46 já ficou fino demais. Óleo mais quente envelhece mais rápido: vale olhar o resfriamento |
| Passa de 77 °C | Investigar a fonte de calor antes de trocar o grau | Até o 68 fica fino demais para a faixa ótima (veja a última pergunta frequente) |
| Parte fria e trabalha quente (máquina ao tempo, partida no inverno) | Óleo de índice de viscosidade alto, a classe HVLP, no grau 46 ou 68; a Kelpen Oil formula a linha Supra HP, que atende à DIN 51524 parte 3 | Afina menos no calor e engrossa menos no frio |
As temperaturas da tabela valem para óleo de índice de viscosidade perto de 100. Num óleo de índice mais alto, como o HVLP, a distância entre os dois graus fica maior.
O HVLP consegue o índice alto com um aditivo que segura a viscosidade no calor ou com um óleo básico que já tem índice alto. A curva dele se confere na ficha do óleo ou na análise, porque o catálogo da bomba dá só a faixa.
Com água no óleo ou risco de fogo, a escolha passa a ser de tipo de óleo.
A água entra por condensação, lavagem ou vedação gasta. Onde entra um pouco o tempo todo, a Kelpen Oil formula a linha Supra AWD, da classe HLPD: o D, de detergente, quer dizer que o óleo mantém a água em gotas finas, espalhadas, e leva a sujeira até o filtro. Ele não separa a água no tanque, e a entrada de água continua a ser tratada na fonte.
Onde um vazamento pode encontrar fogo, o Supra HFDU FR 68 queima com mais dificuldade que o óleo mineral, embora continue combustível. Ele é uma base de ésteres (um óleo sintético, feito por reação química e não refinado do petróleo), sem óleo mineral e sem água.
Para quem precisa do número: a tabela usa a faixa de 16 a 36 cSt. Pela regra prática de Arrhenius, só aproximada, no óleo mineral, acima de uns 60 °C, cada 10 °C a mais reduz mais ou menos à metade a vida do óleo pela oxidação. A linha completa está em óleos hidráulicos industriais.
E quando a máquina já tem 46 e o estoque só tem 68?
Pode usar óleo hidráulico 68 no lugar do 46?
Pode, se em regime o 68 continuar dentro da faixa da bomba e a partida a frio ficar dentro do limite do catálogo. O 46 no lugar do 68 também serve, se a máquina trabalha fria o bastante para ele não ficar fino demais.
Com o 68 no lugar do 46: vaza menos pelas folgas, mas a partida fica mais pesada e, com o óleo frio, o sistema perde mais energia empurrando o óleo pelas linhas e válvulas.
Com o 46 no lugar do 68: a partida fica mais leve, mas o óleo quente pode ficar fino demais e o cilindro perde velocidade.
Cuidado com uma troca tentadora: pôr 68 porque a máquina ficou lenta. Isso pode esconder uma bomba ou uma vedação de cilindro gastas. Com óleo mais grosso, a folga gasta vaza menos e o sintoma diminui por um tempo, mas o desgaste continua, e um pouco mais dele já anula o ganho.
Máquina lenta também vem de óleo quente demais ou de uma válvula de alívio (a que limita a pressão máxima) aberta o tempo todo. Troque de grau só com um motivo medido e respeitando o manual.
Figura 4. Na folga gasta, o 68 vaza menos que o 46, mas ainda mais que a folga nova: disfarça o desgaste, sem consertá-lo.
Para quem precisa do número: na folga, o óleo escorre em camadas que deslizam sem se misturar (regime laminar). Nesse regime, o vazamento é inversamente proporcional à viscosidade e cresce muito com a folga: folga 10% maior, vazamento cerca de 33% maior (o cubo da folga).
A 40 °C, o 68, quase 50% mais grosso, vaza cerca de um terço menos que o 46. Mas uma folga só uns 14% maior devolve o vazamento ao que era (raiz cúbica de 68/46 = 1,14).
Outra dúvida aparece na hora de completar o nível: dá para juntar os dois?
Pode misturar óleo hidráulico 46 e 68?
Pode, se os dois forem da mesma linha e da mesma classe. A mistura vira um óleo de espessura intermediária e só continua sendo 46 ou 68 quando leva pouco do outro (percentuais com os dois óleos no centro do grau):
com até cerca de 25% de 68 no 46, ainda é 46;
de cerca de 25% a 74% de 68, a mistura fica entre os dois e não pertence a nenhum grau;
com mais de cerca de 74% de 68 (menos de 26% de 46), é 68.
Na reposição de nível, complete com o mesmo grau e a mesma linha.
Misturar classes diferentes, como um HLP com o HLPD detergente, pode piorar a separação da água, a espuma e a filtração. Aditivos de química diferente podem reagir entre si e formar borra, uma pasta que entope o filtro. Mesmo entre dois HLP de marcas diferentes, fale com a Equipe Técnica antes.
Figura 5. Com os dois óleos no centro do grau, até cerca de 25% de 68, a mistura continua 46; acima de cerca de 74%, já é 68; no meio, não é nenhum dos dois.
Para quem precisa do número: pela ASTM D7152, com os dois no centro do grau, meio a meio dá cerca de 56 cSt a 40 °C, fora de qualquer grau.
Mistura, calor e contaminação mudam a espessura do óleo, e por isso ela se mede.
Como a Kelpen Oil confere se o óleo é mesmo 46 ou 68?
Medindo a viscosidade. No laboratório próprio da Kelpen Oil em Arujá (SP), a viscosidade de cada lote é medida a 40 °C, e também a 100 °C quando se calcula o índice de viscosidade. Um dado fora da faixa impede que o lote saia da planta; a lista completa está nos ensaios que aprovam cada lote.
Com as duas medidas, dá para traçar a curva real daquele óleo, como na Figura 3. No óleo em uso, a mesma medida mostra se ele saiu do grau:
Viscosidade subindo costuma indicar envelhecimento pelo calor e pelo oxigênio (oxidação), água no óleo ou mistura com óleo mais grosso.
Viscosidade caindo costuma indicar contaminação com fluido mais fino, mistura com grau menor ou, no HVLP que depende de aditivo para segurar a viscosidade no calor, quebra desse aditivo.
Para quem precisa do número:
| O que medimos | O que revela | Norma e equipamento |
|---|---|---|
| Viscosidade a 40 °C | Se o óleo está na faixa do grau pela ISO 3448 | ASTM D7042, SVM 4001 |
| Viscosidade a 100 °C | O segundo ponto da curva | ASTM D7042, SVM 4001 |
| Índice de viscosidade | Quanto o óleo afina com o calor | NBR 14358, SVM 4001 |
Perguntas frequentes
Óleo hidráulico ISO VG 32 ou 46? O 32 é o grau abaixo do 46, para óleo que trabalha mais frio ou máquina que parte fria. A escolha segue o manual e a temperatura do óleo na bomba (o 32 é a primeira linha da tabela). Pela ISO 3448, o 32 tem de 28,8 a 35,2 cSt a 40 °C.
Existe óleo hidráulico SAE 68? Não com esse número: 68 é grau ISO VG. SAE é a escala do óleo automotivo (SAE J300 para motor; SAE J306 para câmbio e diferencial), medida em outras temperaturas. Algumas máquinas móveis usam no hidráulico óleo vendido por grau SAE, mas um número não se converte direto no outro: vale o que o manual pede.
O que significa AW no óleo hidráulico 68? AW vem de anti-wear, antidesgaste: um aditivo forma uma película que se gasta no lugar do metal quando o filme de óleo afina sob pressão. Do ISO VG 10 ao 150, a faixa que a DIN 51524 parte 2 cobre, a linha Supra AW atende à norma (classe HLP). O 220 e o 320 da linha ficam acima dessa faixa; para eles, vale o que o produto informa: fale com a Equipe Técnica.
Qual o óleo hidráulico mais grosso? Entre o 46 e o 68, o 68. A escala ISO VG continua acima dele, mas no hidráulico os graus acima do 100 são pouco comuns, e vale o que o fabricante da máquina pede. A linha Supra AW chega ao ISO VG 320, com graus mais grossos para mancais (os apoios em que os eixos giram) e sistemas hidráulicos.
Óleo hidráulico esquentando, o que pode ser? Causas frequentes: trocador de calor (o radiador do óleo) sujo, nível baixo no tanque, válvula de alívio aberta o tempo todo e bomba gasta, cujo vazamento interno vira calor. Engrossar o óleo trata o sintoma; o primeiro passo é achar a fonte de calor.
Glossário
Viscosidade: resistência do óleo a escorrer; cai quando o óleo esquenta.
ISO VG: grau de viscosidade da ISO 3448, igual ao meio da faixa permitida a 40 °C, em cSt.
Faixa ótima: faixa de viscosidade em que a bomba rende e dura, dada no catálogo dela.
Regime: máquina produzindo normalmente, com a temperatura do óleo já estável.
Dreno da carcaça: nas bombas que o têm, o tubo que devolve ao tanque o óleo que vazou por dentro da bomba.
Vazamento interno: óleo que escapa pelas folgas e volta ao tanque sem mover o cilindro.
Filme de óleo: camada de óleo que separa as peças em movimento.
Fale com a Equipe Técnica
A Equipe Técnica Kelpen Oil olha a temperatura do óleo em regime, o catálogo da bomba, a temperatura de partida e o histórico da máquina e confirma o grau adequado. Se o óleo já está em uso, o laboratório de Arujá (SP) faz a análise do óleo em uso, como serviço pago. Antes de trocar o grau, meça a temperatura do óleo em regime e anote o que o manual pede.




