O lubrificante para a indústria tissue precisa resolver, na mesma máquina, dois problemas opostos: água em excesso na formação e prensagem, e calor extremo na secagem. Não existe um único óleo que atenda a máquina inteira; existe a especificação correta para cada seção. A escolha errada não aparece no dia seguinte: aparece semanas depois, como mancal aquecendo na região do cilindro secador, óleo leitoso no circuito de circulação ou parada não programada na máquina que menos podia parar.
Tissue roda contínuo. Nesse regime, o lubrificante não é um item de almoxarifado. É uma variável de disponibilidade.
Por que a máquina de tissue é um caso extremo de lubrificação?
Porque concentra, em poucos metros, as três condições que mais degradam óleo:
Água, na formação e na prensagem: névoa, respingo e lavagem contaminam o circuito por selos, respiros e mancais
Temperatura, na secagem: a região do cilindro secador leva os pontos de lubrificação às temperaturas mais altas da planta
Operação contínua, que elimina as janelas de manutenção e transforma qualquer troca de óleo em decisão de produção
A cadeia de falha típica do circuito de circulação começa quase sempre pela água:
água entra pelo selo ou pelo respiro → emulsiona no óleo
emulsão → queda da espessura do filme lubrificante e corrosão nos mancais
filme insuficiente → contato metálico, aquecimento e desgaste
desgaste → parada não programada, no equipamento mais caro de parar da fábrica
O que cada seção da máquina exige do lubrificante?
Formação e prensagem. Condição dominante: água e lavagem constantes. O lubrificante precisa entregar demulsibilidade: separar a água rápido, sem emulsionar, e proteger contra corrosão. Categoria Kelpen Oil: circulatórios e hidráulicos Supra AW.
Secagem (mancais dos cilindros). Condição dominante: alta temperatura contínua. O lubrificante precisa entregar estabilidade térmica e oxidativa, com viscosidade adequada à temperatura real do mancal. Categoria Kelpen Oil: Bearing e circulatórios de viscosidade alta.
Acionamentos e redutores. Condição dominante: carga e torque. O lubrificante precisa entregar capacidade de carga EP comprovada por ensaio FZG, conforme DIN 51517 parte 3. Categoria Kelpen Oil: Turan EP.
Sistemas hidráulicos. Condição dominante: pressão e umidade do ambiente. O lubrificante precisa entregar aditivação antidesgaste conforme DIN 51524-2. Categoria Kelpen Oil: Supra AW.
Duas regras de especificação valem para a máquina inteira:
A viscosidade se escolhe pela temperatura do ponto, não pelo catálogo. O mesmo mancal pede viscosidades diferentes na seção úmida e na secagem, porque a viscosidade real do óleo em serviço cai com a temperatura. Especificar pelo frio e operar no quente é rodar com filme mais fino do que o projeto pediu.
A demulsibilidade é o ensaio que decide na seção úmida. Dois óleos de mesma viscosidade podem se comportar de forma oposta diante da água: um separa em minutos, o outro forma emulsão estável. O ensaio de demulsibilidade, por NBR 14172, mede exatamente isso, e no laboratório da Kelpen Oil ele roda no equipamento PD 475, junto do ensaio de características de emulsão.
Como monitorar água no óleo antes que vire parada?
A água dissolvida não se vê. Quando o óleo fica leitoso, a contaminação já passou do ponto de saturação há tempo. O monitoramento objetivo se faz por ensaio de teor de água pelo método Karl Fischer, por NBR 11348, que quantifica a contaminação em ppm mesmo na fase em que ela ainda é invisível. No laboratório da Kelpen Oil, o ensaio roda no coulômetro 831 KF da Metrohm, e é um dos 24 ensaios do parque analítico de Arujá (SP).
Para um circuito de circulação de máquina de papel, a análise periódica responde três perguntas que nenhuma inspeção visual responde: quanta água há no óleo agora, a viscosidade ainda está na faixa da especificação, e a acidez (TAN) indica quanto de vida útil resta. Trocar óleo por calendário, nesse contexto, é jogar fora óleo bom ou, pior, manter óleo morto. Trocar por condição é o que a análise permite.
A Kelpen Oil, fabricante brasileira de lubrificantes e óleos básicos com laboratório próprio em Arujá (SP), presta esse serviço de análise para qualquer empresa, inclusive de óleo que não produziu. É serviço pago, e em máquina de operação contínua costuma ser a diferença entre programar uma intervenção e sofrer uma.
E a disponibilidade, que ninguém especifica?
Há um requisito da indústria tissue que não aparece em nenhuma ficha: o fornecedor não pode faltar. Máquina contínua consome contínuo, e boa parte da indústria de lubrificantes produz apenas sob pedido. A Kelpen Oil produz para reposição de estoque, com envase sob demanda do balde ao granel e atendimento em todo o Brasil, desde 1999. Para o setor de compras isso é um detalhe; para quem responde pela disponibilidade da máquina, é o pesadelo resolvido.
Perguntas frequentes
Qual lubrificante usar em máquina de tissue? Depende da seção: circulatórios com alta demulsibilidade na região úmida, óleos de estabilidade térmica comprovada nos mancais da secagem, redutores conforme DIN 51517-3 nos acionamentos e hidráulicos DIN 51524-2 nos sistemas de pressão. A especificação correta é por ponto de lubrificação, não por máquina.
Como a água entra no circuito de óleo? Pelos selos dos mancais, pelos respiros do reservatório e pela lavagem do equipamento. Em máquina de papel a contaminação é contínua, e por isso a capacidade do óleo de separar água é critério de especificação, não acessório.
Com que frequência analisar o óleo do circuito? Em operação contínua, a análise periódica de água (Karl Fischer), viscosidade e acidez é o que permite trocar por condição em vez de por calendário. A frequência se define com base no histórico do circuito; o ponto de partida é trimestral, encurtando se a tendência de água subir.
Óleo de máquina de papel pode ser o mesmo da seção seca e da úmida? Em geral, não. As condições dominantes são opostas (água contra temperatura), e a viscosidade e o pacote de aditivos corretos mudam de uma seção para a outra.
Especifique por seção, com quem mede
A Equipe Técnica Kelpen Oil avalia seção por seção: temperatura real de cada ponto, presença de água, tipo de mancal, redutor e sistema hidráulico, e confirma a especificação de cada lubrificante da máquina. Se quiser começar pelo diagnóstico, envie amostras do circuito atual para análise no laboratório de Arujá (SP) e receba o retrato objetivo de água, viscosidade e vida útil. Fale com um especialista, sem compromisso.

