Use o óleo cuja velocidade de resfriamento combina com a temperabilidade do aço (a capacidade de endurecer em profundidade) e com a seção (espessura) da peça: óleo convencional para a têmpera comum, óleo acelerado para aços de baixa temperabilidade, e polímero quando o tanque precisa ser não inflamável. Resfriar rápido demais aumenta o risco de trinca e empenamento; devagar demais deixa a peça mole. A prova é a curva de resfriamento (o registro de como a peça esfria no banho), medida pelo ensaio ASTM D6200.

Óleo de têmpera é o líquido do tanque onde a peça sai do forno em brasa e mergulha para endurecer. Ele funciona como o freio da peça: freio fraco não a segura a tempo, e ela sai mole; freio brusco demais a quebra por dentro. Por isso a escolha parte da curva de resfriamento certa para cada combinação de aço, seção e dureza-alvo, e o nome do óleo vem depois.

A peça que chega ao tanque já passou pelo torno, pela fresa e pelo fluido de corte para usinagem. Usinagem errada ainda pode ser corrigida. Têmpera errada, não: a peça trincada ou fora de dureza leva junto as horas de máquina, a matéria-prima e a preparação de máquina (setup) que vieram antes. O óleo de têmpera é variável de processo e merece o mesmo controle que o forno.

Qual o melhor óleo para temperar aço?

O melhor é o que entrega a curva de resfriamento que o aço e a peça pedem. Na prática, a escolha segue a temperabilidade do aço, a seção da peça e a exigência de segurança do tanque:

Se na sua fábrica…Tipo de óleoPor quê
Têmpera comum de metais ferrosos, em peças de seção fina ou aços de liga mais ricaÓleo convencionalResfriamento gradual e uniforme, o meio padrão para aços-liga e peças de precisão
Aços de baixa temperabilidade, em seção que o óleo convencional não endureceÓleo de têmpera aceleradaAditivos aceleradores da curva desfazem a camada de vapor mais cedo e elevam a severidade (a capacidade do meio de extrair calor da peça)
Exigência de meio não inflamávelPolímero de têmpera (solução aquosa)Não pega fogo; a severidade se ajusta pela concentração da solução

A Kelpen Oil atende os três casos. A linha Micro Temp reúne óleos de têmpera acelerada. A linha Austenity traz versões para têmpera convencional e acelerada de metais ferrosos. As duas estão em óleos para tratamento térmico. A Equipe Técnica Kelpen Oil indica a opção para cada aço e cada peça pela seção da peça e pela curva de resfriamento. A temperatura do banho e a agitação do tanque também mudam a severidade de qualquer um desses fluidos, e a Equipe Técnica Kelpen Oil considera as duas na recomendação.

Meio não inflamável é decisão de segurança

Onde o risco de incêndio no tanque de têmpera pesa (forno contínuo, peça que chega muito quente ao banho, histórico de sinistro), o polímero de têmpera substitui o óleo por uma solução aquosa, que não pega fogo. A Kelpen Oil tem fluido de têmpera à base de polímero na mesma família de óleos para tratamento térmico. A Equipe Técnica Kelpen Oil indica quando ele serve ao seu processo, conforme o aço, o tipo de aquecimento e a peça.

Para que serve a têmpera no aço?

Serve para endurecer o aço. A peça é aquecida até a austenitização (a faixa de temperatura em que a estrutura do aço vira austenita, uma fase capaz de dissolver o carbono) e depois resfriada rápido o suficiente para que a austenita se transforme em martensita, a fase dura, em vez de voltar às fases moles.

O ponto decisivo é "rápido o suficiente". Cada aço tem uma velocidade crítica de resfriamento, a mínima para formar martensita, e é o meio de têmpera que a entrega ou não. Quanto mais carbono e mais elementos de liga (cromo, manganês, molibdênio, níquel) o aço tem, menor a velocidade crítica: aço de liga mais rica, em seção fina, endurece em óleo convencional. Aço de baixa temperabilidade pede um meio de maior severidade (mais capacidade de extrair calor da peça). É o caso do aço-carbono sem liga, de médio carbono, como o SAE 1045, comum em eixos: em seção fina, óleo acelerado; em seções maiores, polímero ou água.

A água é o meio mais severo: resfria muito mais rápido que o óleo e endurece aço-carbono de baixa temperabilidade, mas o choque térmico gera tensões internas altas, com mais risco de trinca e distorção em geometria complexa. O polímero, uma solução aquosa não inflamável, fica entre os dois, com severidade ajustada pela concentração; o óleo, mais gradual e uniforme, é o meio padrão para aços-liga e peças de precisão.

Como funciona a têmpera do aço?

A peça sai do forno, mergulha no óleo e perde calor em três fases, cada uma com uma velocidade diferente:

  1. Camada de vapor. O óleo que toca o metal em brasa vaporiza na hora e forma um filme de vapor em volta da peça. O vapor isola a superfície, o que leva a um resfriamento lento no primeiro instante. Os aditivos aceleradores dos óleos acelerados desfazem essa camada mais cedo.

  2. Ebulição. A camada de vapor colapsa, o óleo líquido toca o metal e ferve em bolhas que se formam e se desprendem da superfície (ebulição nucleada), o que leva à fase mais rápida do resfriamento. Em geral é nessa fase que a peça atravessa a faixa de temperatura em que a austenita viraria fases moles. Por isso é aqui que o resfriamento precisa ser mais rápido que a velocidade crítica do aço.

  3. Convecção. Quando a superfície esfria abaixo da temperatura de ebulição do óleo, as bolhas param e a peça só perde calor para o óleo que circula em volta, o que leva à fase mais lenta. Ela costuma coincidir com a faixa em que a martensita se forma, a partir da temperatura Ms (do inglês martensite start, início da martensita). Resfriamento brando nessa fase reduz a tensão interna e, com ela, o risco de trinca e empenamento.

Quando o meio é severo demais para aquele aço e aquela geometria, a trinca segue a mesma sequência de causa e efeito:

  1. O meio extrai calor rápido demais, o que leva a um gradiente térmico alto (diferença de temperatura) entre superfície e núcleo.

  2. Com o gradiente alto, a superfície chega à temperatura Ms antes do núcleo e vira martensita primeiro. A martensita ocupa mais volume que a austenita, e a superfície, já dura e frágil, fica presa a um núcleo ainda quente e macio.

  3. Quando o núcleo se transforma, ele também incha e empurra a superfície de dentro para fora, o que leva a uma tensão de tração (esforço que tende a abrir o material) na superfície.

  4. Se essa tensão passa da resistência do material, a peça trinca, às vezes só na retífica ou em serviço.

Como um meio errado aparece na sua fábrica: peça abaixo da dureza especificada ou com pontos moles, quando o meio é brando demais ou a camada de vapor demorou a se desfazer; trinca que só aparece na retífica ou já em serviço; peça empenada que pede endireitamento ou mais sobremetal (material extra deixado na peça para ser removido na retífica).

Curva de resfriamento de uma peça temperada em óleo, com as fases de camada de vapor, ebulição e convecção 1. Vapor 2. Ebulição 3. Convecção Austenitização Ms: início da martensita Temperatura do óleo Temperatura da peça Tempo Banho de óleo Peça no banho de óleo 1. Camada de vapor 2. Ebulição 3. Convecção

Figura 1. A curva de resfriamento se desenha no tempo: cai devagar na camada de vapor, rápido na ebulição e devagar de novo na convecção, quando a peça cruza a temperatura Ms e se aproxima da temperatura do óleo. Ao lado, o que acontece em volta da peça no banho em cada fase. Desenho qualitativo, sem escala.

O que é curva de resfriamento?

É o gráfico da temperatura de uma peça de teste ao longo do tempo, do forno até o banho, e mostra quanto calor o óleo retira em cada fase. Na norma ASTM D6200, a peça de teste é uma sonda padronizada de liga de níquel (Inconel 600), de 12,5 mm de diâmetro, com um sensor de temperatura (termopar) no centro. A sonda é aquecida no forno e mergulhada no óleo parado, e o ensaio registra:

  • a velocidade máxima de resfriamento e a temperatura em que ela acontece;

  • a velocidade de resfriamento a 300 °C, perto da faixa em que a martensita se forma na maioria dos aços temperáveis;

  • o tempo para a sonda chegar a 600, 400 e 200 °C.

Como ler: quanto mais cedo a camada de vapor se desfaz e mais alta a velocidade máxima, mais o aço tende a endurecer; quanto mais branda a velocidade perto de 300 °C, menor o risco de trinca e distorção. Para polímero de têmpera, o ensaio equivalente é a ASTM D6482, feito com agitação (método Tensi), porque a solução de polímero muda de comportamento conforme a agitação do tanque.

"Óleo rápido" sem curva de resfriamento anexada é só uma promessa. A severidade real de um óleo de têmpera se conhece pelo ensaio, e é a curva que deve entrar na especificação de compra; peça a curva à Equipe Técnica Kelpen Oil. A peça real esfria diferente da sonda (seção, geometria, agitação e carga do cesto mudam a curva), então a sonda serve para comparar óleos entre si e o mesmo óleo ao longo do tempo.

Como saber se o óleo de têmpera ainda está bom?

Comparando a curva de resfriamento de uma amostra do tanque com a curva do óleo novo ou da época em que o processo foi aprovado. O óleo de têmpera envelhece em serviço: oxida (reage com o oxigênio do ar, acelerado pelo calor), sofre craqueamento (quebra das moléculas pelo calor) e se contamina com água e fuligem. Esse envelhecimento muda a curva de resfriamento, e com ela o resultado metalúrgico, sem que nada pareça diferente a olho nu.

Óleo degradado, com água ou fora de especificação desloca a curva e provoca o mesmo efeito de um meio errado: dureza baixa, trinca ou empenamento. A água, por exemplo, alonga a camada de vapor e altera a velocidade máxima. Ela também é risco de segurança: em contato com a peça quente, vira vapor de uma vez, o que pode fazer o óleo espumar, transbordar do tanque e pegar fogo. Por isso o guia ASTM D6710, de avaliação de óleos de têmpera, indica em geral menos de 0,1% de água no óleo (1.000 ppm). A peça número 10.000 só tempera como a peça número 1 se alguém estiver medindo.

No polímero, além da curva, a concentração da solução se acompanha com refratômetro (instrumento que lê a concentração pela forma como o líquido desvia a luz), usando o fator de correção do fabricante do polímero.

Na prática, a pergunta útil sobre o tanque é esta: a curva de resfriamento deste óleo, hoje, ainda corresponde àquela para a qual o processo foi ajustado?

Como a Kelpen Oil mede a curva de resfriamento?

O laboratório da Kelpen Oil em Arujá (SP) levanta a curva de resfriamento de óleos de têmpera pela ASTM D6200 e de polímeros de têmpera pela ASTM D6482, no equipamento IVF Smart Quench. O ensaio registra a taxa real de extração de calor do fluido, novo ou usado, e responde às duas perguntas que decidem o processo:

  • Este óleo entrega a severidade que a peça exige?

  • Ele ainda se comporta como no dia em que o processo foi aprovado?

A Kelpen Oil usa esse ensaio no controle dos próprios lotes e oferece a análise a outras empresas, inclusive para óleo de outro fabricante, como serviço pago. A curva mostra se o óleo mudou; os outros ensaios do laboratório de lubrificantes mostram por quê:

O que medimosO que revelaNorma
Curva de resfriamento do óleoVelocidade máxima, temperatura em que ela ocorre, velocidade a 300 °C e tempos até 600, 400 e 200 °C: se o óleo ainda tempera como no dia da aprovaçãoASTM D6200, no IVF Smart Quench
Curva de resfriamento do polímero, com agitaçãoA mesma leitura para a solução aquosa de polímeroASTM D6482, no IVF Smart Quench
Água no óleo (método Karl Fischer)Teor de água, em ppm (partes por milhão); a água alonga a camada de vapor, muda a curva e é risco de espuma e fogo no tanqueNBR 11348
Número de acidez (TAN, do inglês Total Acid Number)Quanto o óleo oxidou em serviçoNBR 14448
Viscosidade cinemática a 40 °C (resistência do óleo a escoar)Óleo que engrossou por oxidação circula pior e muda a fase de convecçãoASTM D7042, no viscosímetro SVM 4001
Ponto de fulgorMargem de segurança contra fogo no tanque; queda indica contaminação ou craqueamentoNBR 11341

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre têmpera e revenimento? A têmpera endurece o aço. O revenimento vem logo depois: reaquece a peça temperada a uma temperatura bem abaixo da austenitização, para aliviar tensões e reduzir a fragilidade da martensita, trocando um pouco de dureza por tenacidade (resistência a quebrar com impacto).

Qual a temperatura de têmpera do aço? Para aços-carbono e de baixa liga, a austenitização fica tipicamente entre 800 e 900 °C, conforme a liga. Aços-ferramenta de alta liga e inoxidáveis martensíticos (os inoxidáveis que endurecem na têmpera) usam temperaturas mais altas. O valor exato vem da especificação do aço. A peça fica nessa temperatura o tempo necessário para homogeneizar e só então vai para o banho.

Por que a peça trinca na têmpera? Na maioria dos casos, porque o meio foi severo demais para aquele aço e aquela geometria: a superfície e o núcleo viram martensita em momentos diferentes, e a tensão entre eles passa da resistência do material. Óleo degradado, com água ou fora de especificação desloca a curva de resfriamento e provoca o mesmo efeito.

Como tirar a têmpera do aço? Por recozimento: a peça é reaquecida até a austenitização e resfriada devagar, em geral dentro do próprio forno, o que devolve a estrutura mole e usinável. Depois disso, ela pode ser temperada de novo.

Óleo de têmpera precisa de análise periódica? Sim. Saber qual óleo usar para têmpera resolve a compra; a análise mostra se ele continua entregando a mesma curva. A curva de resfriamento muda com a oxidação e a contaminação. O ensaio ASTM D6200 em amostra do tanque é a forma objetiva de saber se o processo continua temperando como foi validado.

Glossário

  • Temperabilidade: capacidade do aço de endurecer em profundidade na têmpera.

  • Austenitização: aquecimento do aço até a faixa em que a estrutura vira austenita, antes do resfriamento.

  • Martensita: fase dura que se forma quando a austenita é resfriada acima da velocidade crítica.

  • Ms: temperatura em que a martensita começa a se formar; depende da liga.

  • Severidade de têmpera: intensidade com que o meio (água, polímero ou óleo) extrai calor da peça.

  • Curva de resfriamento: registro da temperatura de uma sonda padronizada no banho ao longo do tempo (ASTM D6200 para óleo, ASTM D6482 para polímero).

  • Camada de vapor: filme de vapor que envolve a peça no primeiro instante do banho e isola a superfície.

Fale com a Equipe Técnica

A Equipe Técnica Kelpen Oil avalia tipo de aço, geometria e seção da peça, temperatura de processo, dureza-alvo e volume do tanque, e confirma o produto adequado (óleo ou polímero de têmpera), com a curva de resfriamento medida no laboratório próprio. Se o processo já roda com outro produto, o laboratório de Arujá (SP) faz a análise do óleo em uso com amostra do tanque, como serviço pago, e mostra em que ponto da vida útil ele está. Salve este artigo ou envie para quem responde pelo tratamento térmico na sua empresa.